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Arquivos por Categoria: shorties

aonde a mim me parece a queda, … o cais

Chega o fim do dia
no Jardim do Torel,
e, desfiam-se luzes
pelas colinas.

Em constelações,
encruzilhadas.

[Viste-a?
-Passou célere,
árvores atrás.]

Chega o fim da noite,
no jardim do Torel…

8 Novembro 2002

Rimbaud. Wenceslau de Moraes. A Folha Cai.
Lendo Rimbaud … ”Le Loup … ” ao pé de
Wenceslau de Moraes. Lendo Rimbaud junto
à casa onde por tempos viveu nasceu Wenceslau.
” Le loup criait sous les feuilles
En crachant les belles plumes
De son repas de volailles :
Comme lui je me consume. ”
Imagino Morais criança no sítio onde
estou, talvez numa cena escura – os
olhos. WENCESLAU JOSÉ DE SOUSA MORAIS (1854-1929)

17 Outubro 2002 Jardim Torel


no escuro
num reflexo de quartzo;
topázio, no seu olhar
residia a resposta.

[acende um
cigarro feito
à mão]

e, no plano, penumbra
no fundo dos seus olhos,
na superfície

lê.Leste?

2003 03 03

10h00

AH
OH
YAAAAAAA
HA, HA, HA
HEE! HEE!
WHUD! ( Numa luta um dos corpos bate no chão.)
CRUNCH!
WHAP! ( Silvo de machado de duas faces.)
CHUNK! ( Face de machado rompe pela caixa torácica de alguém!)
THUMP! ( Pequena flecha ao anichar-se num ventre.)
ACH! WEH… WEH!
YUCK! ( Esforço ao apanhar algo do chão.)
YIPE!
SPLOSH. ( Pequeno som de líquido a ser ejectado duma caneca.)
GLURPLE… GLUP. ( Sôfrego líquido ao passar nas goelas.)
BURP! (Final do sôfrego líquido ao passar nas goelas.)
BLRAAGH! (Morto vivo saíndo do repouso… de repente.)
AAAEEEEEIIOOUY… (Dor, terror.)
UUUHHHHHH.
HM!
YUK! YUK! YUK!

14h00

GOOD STUFF!
WHEEEEEZ.
GNASH. ( Meia raiva.)
BLAM! ( Tiro.)
GRRRRR. ( Faz o cão.)
CLACK. ( Som de estalada.)
OUGH! ( Depois da estalada.)
KLIK. ( Antes do tiro.)
POW. ( Tiro.)
BAM. BAM. ( Mais tiros.)
AK! HAUGH! ULK! ( Insatisfação no W.C.)
ULKBLORP RETH. ( Mais sons humanos no W.C.)
CLANK. ( Algo a partir no chão, por exemplo, um despertador.)
BLEUH. ( Enfado.)
TCHRAAAKK. ( Ficção científica: uma brecha na realidade.)
PAN! ( Mais um tirozito.)
SSSH…! ( Arrastar de um chicote.)
BDAH! ( Dinossauro terrífico fitando a presa.)
SLURRP! ( Dinossauro(?) lambendo humano?)
TSK.
PUT PUT PUT! (Faz um engenho a vapor.)
CRACKLE! HISS! ( Mais sons do engenho.)
ZOT! ( Máquina a chatear um humano.)
AAAH! KAP KADONG DOOM. ( Humano caindo por um caldeirão fundo.)
POUT POUT. ( Moca de ficção científica em movimento levitacional ou anti-gravítico.)
CRRF! ( Expressão de desprezo duma máquina inteligente.)

1990 07 31

200104xx4

Ali… Uma igreja perto, um sino toca para o terço;
seis e meia, o trabalhador na garagem, fecha-a; antecipando
o fim de semana. Passas na rua da Isa desejando-a,
negrinha gazela…
[Uma pobre já estava a rondar por ali há dois dias dormindo no vão da escada, conseguindo uns trocos; no salão de jogos, um chocolate quente, um cigarro …]
Aqui ou ali. Aqui, sem ti. Aqui…

r benformoso lx xx 04 2001

9 e 28:
Dá-me lume! Silêncio.
Fumo e fogo. _ Ouro.
Flor – veia: _ Amo-te: A minha linha na mão é obscura.

14 e 17:
Em caos em êxtase o deejay, a vila vida global,
desintonizado, numa radial terra de ninguém perguntava-te
ao ouvido: Amas a tua alma?

15 e 34:
Àquela terra (em nome de): – Mineral vegetal
aos homens de pedras; às flores, de mulheres.

15 e 39:
Era.

Zero.
Ah oh yaaaaaaaa há, há, há hee! Hee!

\

mais um domingo


o visitante que chega, os outros que se abrem à manhã;
o maço de tabaco que se acaba, o cigarro que outro acende;
o almoço, a mesa cheia de fumo e bebida, a exposição que se visita, as pessoas que se encontram;
a partida, os vídeos na tv;
o filme que se não vai ver, o dinheiro que se pede emprestado;
as lindas miúdas, a luz nas ruas, a música calma que se escuta, a noite que chega;
o não saber que fazer, as escolhas;
o fall of an angel nos headphones, a bic fina que escreve;
as fotos que se espalham na mesa, a personagem do filme da meia-noite que se recorda;
o tédio, o mais-um cigarro na boca;
o este-dia que se acaba, o que hei-de fazer na semana;
o como hei-de acabar, o que fica por revelar, a cassete que se volta, o, puxa, quero acabar. Isto.

\

uma antiga:

uma,
duas,
duas e meia …

_

\

E, a Neusa:
-Estás sozinho nesta sala?
-Estou.
-Coitadinho… só e abandonado.
-É… Se passa aí a carrinha da Câmara, apanha-me e leva-me para o canil.
-Parvo!

geometral lx 1999

Pelos fundos canos, deste antigo prédio numa Madragoa lisboeta, a água canta leve e trigueira: – Madragoa, Madragoa…; continua a pingar a torneira. E, pequenos sons; duas tosses, um choro de criança num outro quarto, um suspiro mais lento mais profundo a meu lado, lá fora uns passos descendo a ladeira, um camião de limpezas voltando aonde à horas partiu, e alguém que continua a tossir… Como a água a soar agora já tão de leve quase que como a terminar. E é um suspiro meu que oiço junto ao só respirar (e só dormir, o seu corpo a estremecer), pois sei a saber que já não terei que me levantar e fechar a torneira que tão displicentemente nesta modesta pensão, a meio desta noite de quinta para sexta, deixei a pingar. Plim. Duas e 47. Plói.

~bica lx 04 02 2003

Encostou a cabeça no vidro, e olhou: Para fora, para a obscuridade, entre estações. Envolvido num tempo, estendido, em projecção, a 24 imagens, filme mudo.

200x

_Em leves contornos?_Como a ilha que me tinha aparecido em sonhos… Mas; escuta! Lembro-me que havia um farol, de que a luz saía não em linha recta, mas em labaredas, como que chamas expelidas._Não sei o que queres dizer! Mudemos antes de assunto. O Faínha agora só cavalo, sabias? Aconteceu aquilo, com ele, no Gêres* e ficou estranho a partir daí._Podíamos ir vê-lo, comprávamos cigarros e uma garrafa de vinho tinto._Espera mais um pouco, talvez a Jaínha apareça. O João passou por casa dela, vindo de Lisboa.

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*alusão à borboleta que seguiu o faísca no gerês.

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