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Arquivos por Categoria: poetry's next door

nas montanhas

o berro

líamos

primordiais

libertos

De manhã, as pálpebras

leve impresso peso. Descansas,

cansas o descanso. Mínimas

melodias, madrigais, um

crescente tempo. Contactos,

embate de gigantes forças. Curvado

sob a escrita. Aspiras

ao voo. Dédalo…

arriscar um pássaro
mínima falha
na paisagem um plano
infinito (ou ínfimo

onde passos frágeis
inflectem em ondas
na superfície um movimento)

o universo, na imagem
o espelho, uma dor
sofrimento precisamente

vago, passa. [fragmento
de arqueologia]

.

Olhar

dum rio,
o barqueiro.
suspende-se a margem,
dói-te o ser
de si, próximo.

(…já não pelos seus olhos)

olhar: o espaço
acelera-se
e o tempo
…pára.

é a terra, o todo
(habitado e) sem vida
as formas, deixam-se devido
a uma gravidade… o pensamento.

único, o que de tudo
nada morre, sem existido
por aquele olhar.

lx 1999

reflexo Transparente


O que te reflecte aquele olho,
é; mas uma possibilidade…
um letal quadro, mortal e total.

É a verdade, universal e, nada.
É o mais perto que chegarás,
da resposta, tê-la é sê-la.

(Que quando mais certo e incerto…)
Porque quando a tiveres, serás antes
e nunca a terás. A questão? Falsa.

lx 1999

média e cinco
pela torre

soa um carro de boi

também galos e cães

não

príncipe
um dia

começou

.

9 e 28:
Dá-me lume! Silêncio.
Fumo e fogo. _ Ouro.
Flor – veia: _ Amo-te: A minha linha na mão é obscura.

14 e 17:
Em caos em êxtase o deejay, a vila vida global,
desintonizado, numa radial terra de ninguém perguntava-te
ao ouvido: Amas a tua alma?

15 e 34:
Àquela terra (em nome de): – Mineral vegetal
aos homens de pedras; às flores, de mulheres.

15 e 39:
Era.

Zero.
Ah oh yaaaaaaaa há, há, há hee! Hee!

\

Cuspo na lua

Cuspir na lua, outrora.
Outrora cuspi na calçada
defronte.
Defronte à esquadra.
- Já não, mas hoje…
À primeira hora
cuspo na lua,
cuspir na lua.

(…)
Ah!
Vou caminhar e desenhá-la.

(…)
Atravessar a rua.

(…)
Já não.
Há uma árvore em frente.

\

Turco? Azul, asterisco estrela.
Vacuum? – Não ia ser suficiente!
Talvez a velocidade…

- Desculpa-me, abraça-me.

Mas eu não estava lá. Mão
tatuada no recto peito, esperei.

Pedia neve, lha davam,
não era da que caía do céu.

A cruz.

\

…e os ofendidos só chegaram às três da manhã, e
eu já estava noite dentro noite fora, e
o meu rapaz pulmão herói já estrebuchava.

quero ar, respirar.

não me venhas assustar,
não me venhas ultrapassar,
que eu sei que estás aí, por favor

quero ar, respirar.

não me digas o que tenho de fazer,
deixa-me descobrir e ser avara do mar,
talvez, gentilmente, eu só queira te amar,
e usar nossas benditas vogais a e i …

ou, quero ar respirar,
quero ar, respirar,
e, tão bem… ficar.

mais um domingo


o visitante que chega, os outros que se abrem à manhã;
o maço de tabaco que se acaba, o cigarro que outro acende;
o almoço, a mesa cheia de fumo e bebida, a exposição que se visita, as pessoas que se encontram;
a partida, os vídeos na tv;
o filme que se não vai ver, o dinheiro que se pede emprestado;
as lindas miúdas, a luz nas ruas, a música calma que se escuta, a noite que chega;
o não saber que fazer, as escolhas;
o fall of an angel nos headphones, a bic fina que escreve;
as fotos que se espalham na mesa, a personagem do filme da meia-noite que se recorda;
o tédio, o mais-um cigarro na boca;
o este-dia que se acaba, o que hei-de fazer na semana;
o como hei-de acabar, o que fica por revelar, a cassete que se volta, o, puxa, quero acabar. Isto.

\

la luna

quando o espaço se abre

incalculáveis mensagens

de luz o corpo

transparente ramifica-se

o sangue lunático

esferas palavras

conjugando escritas

na areia a espuma

enquanto os resíduos cerca

sem fim percorrido o mar

talvez pegadas as almas

dispersas para além penetram

só entre persianas

às escarpas e abismos.

inconfessável o cubo

que se atira das estrelas,

leis…


No contacto com a superfície
metal folha da realidade
constrói o caminho
o poeta devolvendo
a dávida.

19990515 

a pesada – toneladas! – rasteira queda de folhas
de uma árvore,
(entre quartos de moribundos amores, parasitas
partilhados, esganados felinos, desacompanhados seres.)
elos quebram-se num lastro de dores esquerdinas, e
- já não é o que era ! – continua lista:
intermináveis gestos quotidianos em
carne viva abandonados círculos a
incompetentes abutres. 

o arranhão nas costas, e, outros, meros
galhos em profundidade na pegajosa
podridão e fealdade, doutros pecados. 

1999

sob o musgo
a pedra
que rolou

30 07 1990
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