Arquivos por Categoria: l'écume des jours
Rimbaud. Wenceslau de Moraes. A Folha Cai.
Lendo Rimbaud … ”Le Loup … ” ao pé de
Wenceslau de Moraes. Lendo Rimbaud junto
à casa onde por tempos viveu nasceu Wenceslau.
” Le loup criait sous les feuilles
En crachant les belles plumes
De son repas de volailles :
Comme lui je me consume. ”
Imagino Morais criança no sítio onde
estou, talvez numa cena escura – os
olhos. WENCESLAU JOSÉ DE SOUSA MORAIS (1854-1929)
17 Outubro 2002 Jardim Torel

lx 17 03 2004
10h00
AH
OH
YAAAAAAA
HA, HA, HA
HEE! HEE!
WHUD! ( Numa luta um dos corpos bate no chão.)
CRUNCH!
WHAP! ( Silvo de machado de duas faces.)
CHUNK! ( Face de machado rompe pela caixa torácica de alguém!)
THUMP! ( Pequena flecha ao anichar-se num ventre.)
ACH! WEH… WEH!
YUCK! ( Esforço ao apanhar algo do chão.)
YIPE!
SPLOSH. ( Pequeno som de líquido a ser ejectado duma caneca.)
GLURPLE… GLUP. ( Sôfrego líquido ao passar nas goelas.)
BURP! (Final do sôfrego líquido ao passar nas goelas.)
BLRAAGH! (Morto vivo saíndo do repouso… de repente.)
AAAEEEEEIIOOUY… (Dor, terror.)
UUUHHHHHH.
HM!
YUK! YUK! YUK!
14h00
GOOD STUFF!
WHEEEEEZ.
GNASH. ( Meia raiva.)
BLAM! ( Tiro.)
GRRRRR. ( Faz o cão.)
CLACK. ( Som de estalada.)
OUGH! ( Depois da estalada.)
KLIK. ( Antes do tiro.)
POW. ( Tiro.)
BAM. BAM. ( Mais tiros.)
AK! HAUGH! ULK! ( Insatisfação no W.C.)
ULKBLORP RETH. ( Mais sons humanos no W.C.)
CLANK. ( Algo a partir no chão, por exemplo, um despertador.)
BLEUH. ( Enfado.)
TCHRAAAKK. ( Ficção científica: uma brecha na realidade.)
PAN! ( Mais um tirozito.)
SSSH…! ( Arrastar de um chicote.)
BDAH! ( Dinossauro terrífico fitando a presa.)
SLURRP! ( Dinossauro(?) lambendo humano?)
TSK.
PUT PUT PUT! (Faz um engenho a vapor.)
CRACKLE! HISS! ( Mais sons do engenho.)
ZOT! ( Máquina a chatear um humano.)
AAAH! KAP KADONG DOOM. ( Humano caindo por um caldeirão fundo.)
POUT POUT. ( Moca de ficção científica em movimento levitacional ou anti-gravítico.)
CRRF! ( Expressão de desprezo duma máquina inteligente.)
1990 07 31
- Quando me reformar não quero ficar parada. Quero saber quem sou, o que faço aqui,
para onde vou…
Uma enfermeira de raízes moçambicanas, no Hospital de Santa Maria, Otorrinologia.
lx 1245 28 09 1999

-Tens um cigarro?
-Sim! Trouxe-te os brincos.
-Não andas bem!
-Já desde terça… Um caldo marado.
-É o stress… Esgotamento…
-Não sei! Não trabalhei muito este ano.
-Isso não quer dizer nada! Há quanto tempo não tens uma namorada?
-Sei lá… Sempre andei muito comigo mesmo. Vou ao médico…
-Mais há noite podes ir comigo. Está por aí! Agora deixa-me, vou ver se trabalho.

1992 08 21 lx av. liberdade
Chego ao bar, e, ao balcão: -Dê-me um Camel, por favor. Deu-me um Winston. Chega um miúdo: -Tens mortalhas? -Acho que sim! Espera. Procuro. -A rapariga que está comigo diz que está no outro bolso, que te as viu lá meter. (Aonde as viu lá meter?) […] Objectos e cores: Azul: Lenço. Amarelo: Cola stick, capa dicionário. Roxo: No maço pack de cigarros, Silk Cut, poster da DC do Doc Savage (He is not who you think he is), nas montanhas em fundo no postal da serra do Gerês. Vermelho: No pacote Winston Lights e Rothman’s Lights, pacote vazio de açúcar Buondi, sistema da tampinha da garrafa de água destilada. Castanho: Tampo de madeira, candeeiro estirador, cadeira, papel kraft, mesinha de cabeceira… E, cansei-me… […] An old Chinese proverb: Dig a well before you get thirsty.
01 12 1991
Pelos fundos canos, deste antigo prédio numa Madragoa lisboeta, a água canta leve e trigueira: – Madragoa, Madragoa…; continua a pingar a torneira. E, pequenos sons; duas tosses, um choro de criança num outro quarto, um suspiro mais lento mais profundo a meu lado, lá fora uns passos descendo a ladeira, um camião de limpezas voltando aonde à horas partiu, e alguém que continua a tossir… Como a água a soar agora já tão de leve quase que como a terminar. E é um suspiro meu que oiço junto ao só respirar (e só dormir, o seu corpo a estremecer), pois sei a saber que já não terei que me levantar e fechar a torneira que tão displicentemente nesta modesta pensão, a meio desta noite de quinta para sexta, deixei a pingar. Plim. Duas e 47. Plói.
~bica lx 04 02 2003
“It´s my birthday
No one here day
Very strange day…”
Blur
in Leisure

1 de Fevereiro 1992
09:00 A rádio tranquila. Vou sair, beber um café duplo e talvez mais um bolo!
13:33 Elevador da Glória
Fiquei de estar à uma e meia no Largo da Trindade. Entretanto o bilhete subiu de 28 para 30 escudos.
“Who’s gonna ride your wild horses?
Who’s gonna drown in your blue sea?
Who’s gonna taste your salt water kisses?
Who’s gonna take the place of me?
Who’s gonna ride your wild horses?
Who’s gonna tame the heart of thee?”
U2
in Achtung Baby
14:40 No restaurante Alfaia ( o pobre ).

















